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O que muda na "ANS" em relação ao parto?


Recebi também um artigo que a Drª Luciana Herrero escreveu sobre a nova norma que no último dia 7 de julho que já teve alteração em menos de 24 horas depois da publicação. Por isso, a Dra. Luciana, pediatra e autora do livro “O Diário de Bordo do Parto” escreveu um artigo sobre o tema para você entender melhor o que mudou e a opinião dela em relação a esse triste cenário. Gostei muito do artigo e vou compartilhar com vocês.

Artigo “Mudanças da ANS sobre parto”
Por Dra. Luciana Herrero, pediatra e autora do livro “O Diário de Bordo do Parto”

Atualmente, no Brasil, o percentual de partos cesáreos chega a 89,9% na saúde suplementar. Na rede pública este número é menor, de cerca de 52% dos partos, sendo que a OMS recomenda que apenas 15% dos nascimentos fossem cesáreas. Uma verdadeira epidemia de nascimentos cirúrgicos. (dados da pesquisa Nascer no Brasil – da FioCruz de 2014).

Apesar de ser uma via de parto cada vez mais segura, e até uma operação salva vidas em alguns casos, a cesariana, quando não tem indicação médica, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê. A mulher que faz cesárea tem três vezes mais chance de morrer do que a que faz parto normal. E o bebê tem 120 vezes maior probabilidade de problemas respiratórios, além do maior risco de desenvolver doenças crônicas na vida adulta e de ter maior chance de o bebê nascer prematuro.

Tudo isso levou o Ministério da Saúde a procurar maneiras de controlar e até reverter esse triste quadro, que nos envergonha internacionalmente. Uma das estratégias foi a publicação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em janeiro deste ano, uma resolução que estabelece normas para estímulo do parto normal e a consequente redução de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar, que atende a 27 milhões de brasileiras com planos e seguros saúde).

Essa resolução entrou em vigor no dia 7 de julho, terça-feira e, em menos de 24 horas, foi modificada. Vamos entender no que consiste essa resolução e o que mudou:

O que se mantêm:

- Acesso a informação: com as novas regras, as gestantes (consumidoras de planos de saúde) ampliam o acesso à informação, pois elas poderão solicitar às operadoras os percentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico.  Essas informações deverão estar disponíveis no prazo máximo de 15 dias contados a partir da data de solicitação, pelo risco de pagamento de multa de até R$ 15 mil. 

Cartão da gestante: passa a ser obrigatório que as operadoras de saúde forneçam o cartão da gestante de acordo com padrão definido pelo Ministério da Saúde, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal. De posse desse cartão, qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação, facilitando um melhor atendimento à mulher quando ela entrar em trabalho de parto. O cartão deverá conter também a carta de informação à gestante, com orientações e informações para que a mulher tenha subsídios para tomar decisões e vivenciar com tranquilidade esse período tão especial.

O que mudou:

Na primeira proposta apresentada o partograma (documento gráfico onde são feitos registros de tudo o que acontece durante o trabalho de parto) estava obrigatoriamente vinculado ao pagamento do parto. E na ausência desse documento o parto só seria pago se o profissional  apresentasse um relatório médico detalhado que justificasse o motivo que levou a não apresentação do partograma (ou seja, o motivo que levou a realização da cesariana). Os planos de saúde só pagariam as cirurgias que fossem consideradas imprescindíveis e estivessem justificadas pelo médico.

Com a modificação da ANS houve uma diminuição na rigidez contra cesárea. Agora, além dos casos citados acima, a cesárea poderá ser paga pelos planos de saúde desde que apresentem um termo Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinado pela gestante.

Explicando melhor:
Com a nova mudança o pagamento do parto poderá ser realizado em três condições:
- apresentação do partograma: documento que registra a evolução do parto normal.
- apresentação de um relatório médico que justifica em detalhes o motivo da intervenção cirúrgica
-  apresentação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinado pela gestante (nos casos em que a mulher opte voluntariamente pela cesariana mesmo sem ter indicação clínica). Fonte


Minha opinião sobre o assunto

A ANS foi muito criticada pelos médicos e organizações que defendem o parto normal e as mudanças no Brasil e se defendeu alegando que está apenas garantindo o direito de escolha da paciente, em consonância com o que dispõe o código de ética médica. Ter o direito de escolher sua via de parto e de assumir seus riscos, é algo digno e louvável, que deve ser respeitado.

Contudo, como o próprio nome do termo que ela deve assinar na hora de agenda a cirurgia diz, a escolha deve ser Livre e Esclarecida.

Para ser Livre, a escolha não deve sofrer influência externa e muito menos pressão por parte dos mais esclarecidos no assunto (que possuem interesses pessoais e financeiros). 

Para ser Esclarecida, ela não deve ser derivada de mitos, lendas e preconceitos. Mas, sim, embasada em informações fidedignas, baseada nas mais recentes descobertas da ciência.

E infelizmente, no Brasil de hoje, estamos muito longe de ter mulheres livres e esclarecidas. A maioria das gestantes ainda desconhecem os riscos reais da cesárea. E muitas consideram o nascimento cirúrgico mais seguro, o que de fato não é!  E quase todas acreditam ser a cesárea uma solução mágica para o nascimento, uma maneira prático, simples e cômodo de dar à luz. Essa cultura pró-cesárea é real e muitas vezes incentivada pelo próprio profissional de saúde, a quem a mulher confia e admira. 



Me entristece acreditar que muitas mulheres acabarão assinando o termo não por estarem conscientes. Mas, sim, influenciadas pelo sistema vigente, sem terem a devida informação sobre os riscos que está se colocando, para si mesma e para seu bebê. Para essa crise, não há melhor remédio do que oferecer as mulheres conhecimento. Conhecimento é poder, e o caminho mais seguro para uma brasileira consiga lutar pelo seu sonhado parto normal, e para que não caia na armadilha da cesárea desnecessária, como chamamos por aqui: desne-cesárea!
Como a Drª disse é muito importante que tenhamos o DIREITO de escolher qual tipo de parto teremos, eu sou defensora do parto normal mas por motivos que estavam fora do meu alcance tive que fazer cesária da Sofia, foi tranquilo não tive nenhum problema ou complicação, mas agora mais do que nunca defendo o parto normal mas também defendo a escolha pessoal de cada mãe que sabe o que é melhor pra ela e para o seu bebê seja parto normal ou cesária.

E vocês o que acham da mudança da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)?
Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Eu acho que temos que ter todas as informações para termos a escolha, eu optei pelo PC mais conversei bastante com o meu médico ...

    Bjs Mi Gobbato

    http://espacodasmamaes.blogspot.com.br

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  2. Também sou defensora do parto normal, e contra aquelas, e somente àquelas mães, que preferem ter um parto planejado pelo fato de ser mais tranquilo, indolor, etc. E não pelo fato de acharem ser MELHOR em questão de saúde, tanto para ela quanto para o bebê. Pois aí nao houve um estudo, nem uma pesquisa sobre ambos os partos. Eu não sou de deixar explícito minha opinião, porque isso gera muita polêmica. Eu tento procurar respeitar a opinião de cada mãe, porque da mesma forma que nao entendem a minha de querer um parto normal, nao entendo a delas de que querer planejada. Mas nunca julguei! Só na minha cabeça, rsrs. Mas enfim, nao acho que a lei deveria ser IMPOSTA dessa forma.. achei muito pesada. Não sei direito como me explicar. Ja vi muita discussão de mães indignadas com essa lei. Só espero que tudo dê certo no final.

    Beijo grande

    www.vireimamis.esy.es

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  3. O parto normal é mais seguro, cesária só se for o caso, tudo tem que ser feito com planejamento, cada mulher tem a sua opinião, excelente o post sobre um assunto que é importante para todas as mulheres, beijos.
    http://www.lucimarestreladamanha.blogspot.com.br

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  4. Eu optei pela cesárea nas duas gestações .
    No meu caso foi uma boa escolha , meus filhos nasceram um com 55 e outro com 51 centímetros.
    Cada caso é um caso , os dois com 5 kg.
    Bjs!!
    www.bydanidias.com.br

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  5. Achei muito válida essa proposta, porque acredito que toda mãe tem o direito de escolher a forma do parto, independente se normal ou cesaria.

    http://www.arianebaldassin.com/

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  6. Eu achei essa mudança sensata, pelo fato de todos ter o direito de escolha, e isso ninguém pode interferir.
    Eu acredito no parto normal, sei que é o melhor caminho tanto para as crianças como para a mulher, mas não julgo as decisões alheias e acho direito da mulher, escolher o que for melhor para ela... Porque querendo ou não, a cesárea também não é esse bicho de 7 cabeças que pintam. O que é necessário melhorar, é o pronto atendimento ao parto normal, mais informação e apoio as mulheres gestantes...
    Quando estava grávida, fiquei internada por um sangramento que tive no começo da gravidez, e pude ver como são tratadas as gestantes na hora do parto, no hospital público, ou seja, a pressão psicológica e emocional é bastante tensa.... Eu presenciei e vi que não é tão simples assim, ou seja, precisamos de uma mudança grande, mas que é possível...
    Adorei o post.
    Mil beijos,
    Ju

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